domingo, 31 de julho de 2011

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Coberta pela escuridão de um olhar que me rouba a visão, parece mesmo que ele é capaz de me ver a alma como se eu lhe fosse um todo livro aberto, ao seu lado sinto-me nua e em total insegurança e naquele momento sei, que deixei de ter um futuro, que deixei de ter o meu destino traçado por mim que deixei de correr para acelerar o instinto de sobrevivência, e por mais que queira… por mais que saiba que já não tenho razões ou a oportunidade perfeita para escapar a uma morte sem significado não consigo pensar nas pessoas que amo e as quais deixarei quando cair no total esquecimento do negrume amaldiçoado, completamente só, desamparada.
Abraço o meu próprio corpo tentando manter o calor que me foge a correr o mais depressa que pode pelos dedos e sei que o que antes fora fogo agora torna-se puro gelo. Nesse momento tal como sentia na ferida o sangue a jorrar-me com uma intensidade tal no peito senti a minha vida a desvanecer-se sem querer acreditar em mim mesma que ia desta para melhor e por uma ultima hora, por um ultimo minuto, por um ultimo segundo, o meu pensamento foi dedicado a ti e somente a ti… Tu que sem problemas me espremes-te a vida do corpo e me retiras-te a luz dos olhos, mas mesmo assim eu amei-te até ao ultimo milésimo de segundo e não deixei de sentir o amor quando este se intensificou por debaixo das tuas largas mãos e firmes, aí amei-te mais que nunca pois retiras-te de mim a maldição que á tanto morava entranhada na minha pele, na minha alma, na minha dor… tinha vivido sempre subjugada pela angustia de saber que o fim tardava e por isso o ódio por mim libertou-se e transformou-se na adoração que tanto tinha por ti. Acabas-te por ser a minha verdadeira paixão em tantos anos de sofrimento, o meu amor nas alturas tão tristes e um verdadeiro amante fogoso e firme. Amei inclusive o gosto amargo que os teus lábios me deram uma última e derradeira vez… Amei-te… Amei-te mesmo…

Diana Silva

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Um Destino...

Custa-me enfrentar um destino que por si próprio se foi escrevendo
Tenho de entregar aquilo que já não mais me pertence mas que eu ainda amo
Sendo difícil de respirar enquanto sigo as pegadas do que me estava destinado
Estou triste mas no entanto divirto-me com o contrário
E o pior de tudo é, que sei que nunca mais vai voltar a ser meu.
E eu enfrento isso com uma calma e frieza esperada pela minha parte
Excedeu-se no fim todas as minhas expectativas e até fiquei grata por ser eu
A entregar o que antes fora meu de diferente maneira
Porque quando o entreguei, soube que tinha de confiar e que era confiável
E última coisa que eu desejo é oferecer tudo novamente para uma mentira inesperada
E recuso-me a pensar que assim o seja com tanta frieza
Um coração fogoso que passou a ser gélido com as palavras
Ensinaram-me a ser directa e agora aqui estou eu
O mais directa que posso e ao mesmo tempo sabendo medir na perfeição as palavras
Este destino sobre mim é um destino que foi traçado torto
Já Deus escreve direito sobre linhas tortas
E por mais que eu o tente fazer á sempre uma palavra ou uma letra que me acaba por entortar tudo novamente.


                                                                                                                             Diana Silva
                                                                                                                 Um destino de desilusão

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Iludida

É difícil entregarmos quem ainda conseguimos amar, quem ainda nos deixou um espaço no coração, mas senão o fizermos nunca mais o esquecemos afinal não existe amor como o primeiro não é verdade? Uma amiga minha, mas lá está que eu vejo como irmã questionou-me se por acaso não era difícil entregá-lo e a primeira coisa que digo é… há que sofrer para crescer. E ela com um sorriso de compreensão e um sorriso em parte fofo e engraçado diz-me que eu tenho que ter sempre estas minhas tiradas filosóficas.
A única coisa que consegui fazer foi rir em conjunto com ela mas sem qualquer tipo de humor, e habitualmente tornei-me numa humorista mas de humor negro. Claro que não deixei de ser quem sou… pelo menos não completamente, costumo brincar com a imensidão da minha sanidade mas na verdade ela está mesmo em alto risco.
Quer dizer… como é que se completa algo que não quer ser completado, como é que se ajuda quem não quer ser ajudado? São tudo anomalias da vida que pretendem ser riscadas para todo o sempre. E no entanto ainda te oiço nitidamente a dar-me concelhos mas sem que tu os sigas…como sempre… Sou uma desajeitada que se deixa levar pelo amor, mas mesmo sendo criancinha fui adulta o suficiente para te entregar mesmo que isso valesse a uma faca no peito mesmo que isso equivalesse a um murro no estômago e esse o mais forte de todos.
Já não posso esperar mais que o tempo volte atrás, não posso iludir-me e tenho de seguir em frente. Vou ter que te largar…
Vou ter que matar e enterrar um passado que me trouxe ao presente mais acordada e menos iludida…

                                                                                                                   Diana Silva
                                                                                                                       Apenas uma ilusão…

Como começou.

Tudo começou no dia em que nos graduávamos para outro nível escolar, sairíamos do básico para explorarmos o secundário no ano que viria. Aperaltámo-nos e vestimo-nos a rigor para passar o ultimo dia de nono ano e sem sabermos o ultimo dia em que podíamos ser mais normais apesar de já antes sabermos que não o éramos, mas ainda podíamos ser um pouco criancinhas, ainda tínhamos essa oportunidade.
Agora posso dizer que é tarde demais, foi tudo desde que te conhecemos. Pela minha parte não me arrependo pois muito antes perguntava-me se seria sempre a mesma criancinha parada no tempo sem sequer avançar um pouco por muito pouco que fosse, e desde que nos juntámos que tive oportunidade de conhecer muito e presenciar estreias na minha vida. Quem é que nos garante que o mundo é como nós o conhecemos? Ninguém o garante, e mais tarde… não passam de memorias indistintas e demasiado desfocadas para que sejam vistas por velhos olhos cansados e revistos com um cérebro sabido e antigo… e volto a dizer, a repetir o que toda a gente sabe… tudo começou naquele dia. Já estávamos reunidos ao pôr-do-sol e ainda me lembro de quando sem querer te dei uma chapada e tu tiveste que te afastar para não fazeres algo que não desejasses, não que não fosse merecido.
Mais tarde tiveste que te ir embora do baile de finalistas mas não conseguis-te ir-te embora dos nossos corações com a mesma facilidade que sais-te por aqueles portões…não ainda te encontras connosco e a cada dia que passa os nossos laços fortificam-se ainda mais. Felizmente que assim o é. Lembro-me de uma das minhas melhores amigas, minha irmã apesar de não ser de sangue me dizer uma verdade pura e dura mas compreensível << Juntos ninguém nos bate, amparamo-nos uns aos outros, mas afastados… afastados morremos incapacitados>> e eu concordo com ela, pois se me retirassem, a visão, a olfacto, a audição, tudo isso me afectaria e o mais provável era morrer num precipício e nem dar por isso… simplesmente morrer…
Não temo muito a morte, para mim é apenas a etapa final numa vida, para depois renascermos novamente e continuar neste ciclo vicioso de sofrimento.
Depois temos outro momento na minha vida em que tudo se alterou, foi rápido mas não teve nada de simples… afinal todas as pessoas acabam por encontrar o amor não é verdade? Pois bem encontrei-o demasiado cedo.
Mas o que se pode fazer… Deixaram-nos na terra sem qualquer tipo de explicação, sem qualquer tipo de atenção em acontecimentos exteriores á nossa mente e tudo isso porquê?
Quem me dera que o ser humano não tivesse nascido ignorante….

                                                                                                                      Diana Silva….
                                                                                                                                .Uma explicação.

Ganho? Perco?

Começo a ganhar a noção dos problemas
Mas a perder o sentido da vida
Porque será que os verdadeiros amigos
São aqueles que se encontram no fim de tudo?
E porque será que os piores são aqueles
que se descobrem nas piores alturas?
Ás vezes sinto um enorme vazio
Depois de expulsar as palavras
Dentro de mim
E pergunto-me porque será?
Porque será que tem de ser assim?
Estou farta de tudo os sarilhos vêm sempre ter comigo
Ou pelo menos eu não os procuro…
                                                                                                   Diana Silva…

terça-feira, 12 de julho de 2011

Memórias...

Não sei se foi um sonho, se foi um pesadelo. Só sei que ainda sinto os teus braços em volta da minha cintura, e os teus lábios na minha face. O teu nome pairou-me na cabeça como se sempre te tivesse conhecido, mas não fui capaz de o dizer em voz alta arranjando um substituto que me apaziguava a dor das sílabas que o teu nome provoca. Apenas te vi em sonhos, e outras vezes em pesadelos, não consigo diferenciar, pois não tenho certezas absolutas… e sempre que tentei desenhar o teu rosto. O teu esboço que eu tanto caracterizei em histórias, em contos sobrenaturais… e apesar disso tudo o que mais me recordo é dos teus olhos, esses com um âmbar misterioso, um pouco místico até, é demasiado para acarretar sobre os ombros um destino, desconhecido entre mãos desamparadas. Os disparates que dissemos o ódio sem noção ou nexo. Tudo isso foi pelo cano abaixo a partir do momento em que soube que desapareces-te, fiz uma força monumental para que as lágrimas não me caíssem pela cara. Como é possível? Não te conheço nem nunca te conheci neste presente e no entanto… foste capaz de fazer com que eu chorasse por ti, com uma facilidade estonteante e preocupante. Meu coração vibra ao escutar o teu nome mesmo que seja um substituto, só que depois penso nesta palavra e questiono-me o que será que eu quero substituir? Uma alma, um coração, uma perda, um amigo, um irmão… palavras usadas para caracterizar todas as pessoas na minha vida… aquelas que amo e que sempre amarei apesar das zangas e disputas.
Questiono-me também mais brevemente, o que significas para mim, se houve, se existiu um dia em que significas-te algo mais e depois recordo-me que o passado tanto como o futuro são duas páginas em branco revestidas de negro, que simboliza a cegueira, aquela que deixa qualquer um louco.
Mas mesmo assim… durante este tempo todo… em que te vi, num par de horas durante umas noites perguntei-me o que foste tu?! Vieste e desapareces-te para depois passado uns meses, voltares á minha cabeça novamente num pesadelo confuso e me deixares o coração bater a mil.
Será assim tão difícil para os outros entender-te como me custa a mim? Com esse teu sorriso traquinas e ao mesmo tempo melancólico confundes-me. Fazes-me perguntar por ti, perguntar quem és, o que queres, de onde vens? Mas nunca sou respondida, nunca ninguém ouviu o meu lamentar silencioso quando eu oiço sempre os outros tão lindamente, como um cântico que me aclama.
Mais uma vez volto aquele pesadelo em que fugia mas nunca me conseguia libertar, só para depois, mesmo no fim, me abraçares e me beijares ternamente na cara deixando-me a desejar que nunca o tivesses feito…

                                                                                             Diana Silva
                                                                                                    Apenas uma memória…

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Mentira!

Concordo simplesmente quando tu dizes que o céu é azul,
que o sol é uma bola de fogo e que o mar é de uma transparência cristalina.
Mas não me digas que não sei o que fazer, nem o que quero da minha vida
pois estarás a cometer, o pior erro que jamais alguém deve cometer.
A nossa vida relata-se em inumeros episodios de longa duração,
precisamente 24 sobre 24 horas
e alias, não me conheçes assim tao bem
não és tu que me metes os sonhos ou os pesadelos na cabeça á noite
nem és tu que traças o meu destino com essas tuas mãos imundas,
sujas com o sangue dos inocentes e manchada pela escuridão presente.
Também concordo, quando dizes que quem cala consente
pois bem.. eu nao me calo...
Falarei até perder o fôlego, até os meus pulmões deixarem de funcionar
até a minha saliva se gastar e até o meu coração parar.
mas é so isso que te dou... apenas te dou o último pulsar de dentro do meu peito,
porque assim poderei ver a tua cara de horror ao perderes aquela que te poderia facultar as respostas
e no entanto nao tas deu.
Azar...
Durante muito tempo falas-te em puro amor, dizias ser o homem dos meus sonhos,
que me farias voar para locais distantes e sonhar com ilhas exóticas,
e apenas com um beijo... me levarias á lua.
Foi muito bonito enquanto durou, no entanto...diverti-me mais a esmagar esse teu ego enganador e perguntas-me o porquê?
Porque tudo não passou de uma charada... de uma mentira bem planeada só para teres alguém ao teu lado, que te desse valor e atenção . Fui burra, reconheço-o pois deixei um homem que podia realmente ter tido e esse sim seria merecedor de tudo o que lhe fizesse. Agora arrependo-me, mas não tento ir pedir desculpas nem voltar a dançar... a fazer a mesma coreografia que apenas formará uma mais larga bolha de dor, que depois ao rebentar nos perfurara, de dentro para fora.
Agora... agora prefiro a solidão e prefiro observar as pessoas que amo de fora sem me meter nas suas perfeitas vidas... uma que eu poderia tão bem ter tido.
Deixo-te com um adeus e retiro a chave do bolso para ligar um carro com a minha bagagem já la arrumada dentro e guio até a um pequeno apartamento, para viver o resto dos meus dias e reviver, pensando naquilo que deveria ter sido o meu destino... deixo um último pensamento para trás ao recordar-me de um presente não tão pouco sombrío que tenho pela frente. É dificil de notar nos olhos a mentira, de um coraçao que a si próprio mente.

Diana Silva