terça-feira, 12 de julho de 2011

Memórias...

Não sei se foi um sonho, se foi um pesadelo. Só sei que ainda sinto os teus braços em volta da minha cintura, e os teus lábios na minha face. O teu nome pairou-me na cabeça como se sempre te tivesse conhecido, mas não fui capaz de o dizer em voz alta arranjando um substituto que me apaziguava a dor das sílabas que o teu nome provoca. Apenas te vi em sonhos, e outras vezes em pesadelos, não consigo diferenciar, pois não tenho certezas absolutas… e sempre que tentei desenhar o teu rosto. O teu esboço que eu tanto caracterizei em histórias, em contos sobrenaturais… e apesar disso tudo o que mais me recordo é dos teus olhos, esses com um âmbar misterioso, um pouco místico até, é demasiado para acarretar sobre os ombros um destino, desconhecido entre mãos desamparadas. Os disparates que dissemos o ódio sem noção ou nexo. Tudo isso foi pelo cano abaixo a partir do momento em que soube que desapareces-te, fiz uma força monumental para que as lágrimas não me caíssem pela cara. Como é possível? Não te conheço nem nunca te conheci neste presente e no entanto… foste capaz de fazer com que eu chorasse por ti, com uma facilidade estonteante e preocupante. Meu coração vibra ao escutar o teu nome mesmo que seja um substituto, só que depois penso nesta palavra e questiono-me o que será que eu quero substituir? Uma alma, um coração, uma perda, um amigo, um irmão… palavras usadas para caracterizar todas as pessoas na minha vida… aquelas que amo e que sempre amarei apesar das zangas e disputas.
Questiono-me também mais brevemente, o que significas para mim, se houve, se existiu um dia em que significas-te algo mais e depois recordo-me que o passado tanto como o futuro são duas páginas em branco revestidas de negro, que simboliza a cegueira, aquela que deixa qualquer um louco.
Mas mesmo assim… durante este tempo todo… em que te vi, num par de horas durante umas noites perguntei-me o que foste tu?! Vieste e desapareces-te para depois passado uns meses, voltares á minha cabeça novamente num pesadelo confuso e me deixares o coração bater a mil.
Será assim tão difícil para os outros entender-te como me custa a mim? Com esse teu sorriso traquinas e ao mesmo tempo melancólico confundes-me. Fazes-me perguntar por ti, perguntar quem és, o que queres, de onde vens? Mas nunca sou respondida, nunca ninguém ouviu o meu lamentar silencioso quando eu oiço sempre os outros tão lindamente, como um cântico que me aclama.
Mais uma vez volto aquele pesadelo em que fugia mas nunca me conseguia libertar, só para depois, mesmo no fim, me abraçares e me beijares ternamente na cara deixando-me a desejar que nunca o tivesses feito…

                                                                                             Diana Silva
                                                                                                    Apenas uma memória…

Sem comentários:

Enviar um comentário

Deixa-me saber o que pensas. :D