quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Amor/Ódio

É desconfortável saber que, mesmo depois deste tempo todo eu sempre reagi de maneira insana facto ao saber os meus verdadeiros sentimentos quanto a ti. Já é demasiado tempo, já abusei daquilo que devia ter sido esquecido logo no inicio, mas continuo a recordar-te vivamente e porquê? Porque parece que não consigo viver sem a dor do saber, sem o falecimento dos sentimentos que constam numa lista interminável de afazeres sem misericórdia alguma. Não peço por clemência, pois sei que mereço sofrer… sei o que fiz enquanto humana ignorante e amante do absurdo. E sabendo que por mais que queira esquecer algo que não quer ser esquecido, não consigo, até encontrar alguém que queira tomar o seu lugar e apanhar-me desprevenida com a seta do cupido.
Porquê que ainda não chegas-te? Quantos mais dias terei de contar até ele desaparecer da minha mente, do meu coração, da minha alma… já quase posso saborear o terceiro ano em que ainda não me vi livre de ti, e sei que nunca encontrarei outro igual mas sei que esse… se por acaso encontrar, será superior a ti, porque por mais que o meu coração consiga amar mais do que uma pessoa… existe sempre aquele amor constante e o que é para sempre e que se entranha em toda a minha vida sem deixar escapar qualquer ponto.
É uma relação de amor/ódio sem precedentes. Por te amar demasiado… odeio-te.

                                                                                                                                     Amor/Ódio
                                                                                                                                         Diana Silva

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Um Sonho

Mesmo partindo do principio que será sempre o mesmo… que será sempre a mesma sensação… que será a mesma paisagem, o mesmo horizonte. Não consigo de deixar de admirar o negro que espreita por detrás do teu olhar. Dizes ter visões de um futuro sombrio, de um destino amaldiçoado de um passado ensanguentado e totalmente mutilado e até triturado, e isso tudo a partir do momento em que eu me cheguei e te disse um olá. Pousaste a mão pesada e grande sobre o meu ombro sem que esse se tornasse num toque bruto ou possessivo e o teu polegar viajava a cima e  a baixo do meu braço desnudado devido ao top não ter mangas para tapar os ombros naquele dia de Verão. Foram simples e seguras as tuas palavras, e um amor crescente tomou posse do meu cérebro e deixou-me num estado de dormência impossível de aturar, mas antes que caísse no esquecimento tu agarraste-me, agarraste-me com força e com uma postura experiente de um guerreiro que já passara por muito.
- Fica comigo! – Repetiu ele vezes sem conta. – Fica comigo.
Sem perceber, confusa pousei a minha mão a custo na sua face por barbear e passei os dedos pelos lábios que me deixavam insaciável só pelo seu simples tocar.
- Claro que fico, porque não haveria de ficar?
Uma pontada aguda de dor agonizante trespassou-me o ventre e só ai me apercebi o quanto perto e perigoso se tornava o momento. Não, Não. Não podia ser, ainda não estava preparada para partir… para deixá-lo. Agarrei-me com força á vida enquanto ouvia o meu nome produzido inúmeras vezes pela sua voz desconcertada e mais uma vez a minha mão febril passou pela sua face acariciando as tatuagens da sua têmpora, o negrume o brilho da lágrima gorda a escorrer por aquela face e por momentos suspirei.
- Leva-me para casa! – Disse eu como se, se tratasse de um dia normal. Como se eu não me estivesse a esvair em sangue diante do meu ente mais amado… como se… nada…
A visão tornara-se turva e entrara em pânico por não conseguir ver a sua face adorNada da mais pura masculinidade.
- Minha doce Shellan, nós estamos em casa… estamos em casa… por favor não vás.
- Eu não vou a lado nenhum sem ti Hellren, não vou prometo… vou só dormir um pouco.
E sabia que a minha promessa não seria quebrada, sabia-o bem no fundo do meu âmago que apesar de um destino negro apesar de um horizonte pouco vasto aquela era a minha única certeza.
E como que uma explosão de cores cheguei a um belo pais colorido e senti um toque quase como que celestial… mágico merecedor de adulação… e então com uma capacidade surpreendente e o mais descansada possível sentindo aquele calor no meu ventre abri os olhos e perscrutei novamente a escuridão do olhar do meu amado. Abraçou-se até me deixar incapacitada para respirar e por fim depois do mais caloroso dos beijos consegui finalmente dizer…
- Querido… cheguei a casa…
Diana Silva