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domingo, 14 de julho de 2013

Emancipada



Capa de um dos meus livros, o ultimo a dar-me as ideias, o que acham? Dêm-me a vossa opinião. :D Obrigada!

domingo, 12 de agosto de 2012

"No Encalço da Morte" - Excerto


Prefácio
Ficariam espantados se conhecessem o verdadeiro mundo como eu o conheço. Um mágico sobrenatural aterrador e ao mesmo tempo de um fascínio horrendo que ninguém pode imaginar sequer.
Tudo começou quando na minha terra Natal se gerou uma espécie de apocalipse, mas eu sabia por instinto que ainda não tinha acabado. As pessoas foram desaparecendo cada vez mais frequentemente, fugiram-nos pelos dedos os entes mais queridos e ainda mal conhecíamos o mundo como deve ser. Em pequena quando tinha por volta dos meus doze anos já tinha uma ligeira noção do que devia estar a acontecer, contei aos meus pais mas todas as pessoas gozaram comigo alegando que eu tinha uma imaginação muito fértil, e uns meses depois veio-se a comprovar que eu estava correcta. Estávamos na presença de animais como nunca antes tínhamos visto, e estes quase extinguiram a nossa espécie. Batalharam sobre as ruas sem medo e eu que por todas as histórias que conhecia nunca pensei que existissem mesmo.
Não são humanos, mas também não são deuses. São belos, isso sem dúvida mas da minha parte só eram belos para os olhos dos outros que os veneravam sem pensarem. Junto a mim tinha uns poucos, que também salvaguardavam a sua sanidade, enquanto permanecíamos presos a uma vida de escravidão. Mantinham-nos presos e eu fora apanhada no início dos tempos durante uma emboscada. Já se tinham passado cinco anos, e durante esse tempo esquecera-me por completo de como era, sentir o sol, a erva nos pés descalços, o cheiro do orvalho de manhã. Não guardava qualquer espécie de memória do exterior nem desse tipo de felicidade, apenas queria sair dali juntamente com o meu grupo e enquanto não o fazia tentava incumbir juízo na cabeça dos outros.
Perguntam-se porque nos mantinham presos? Por uma razão muito simples. Esta espécie não estava disposta a perder o seu alimento e por isso guardavam-nos e faziam com que procriássemos como se fossemos míseros porcos e cada vez que me recordava disso o estômago contorcia-se e os vómitos vinham-me á boca. Ali naquele buraco, não tínhamos condições mas alimentavam-nos frequentemente, para que nos mantivéssemos fortes e saudáveis e eu gostava de os contradizer. Odiava-os mais que tudo, provocavam-me pesadelos de noite, quase fiquei daltónica pois era pouca a luz e já não sabia o que era estar na presença de cores berrantes e belas, sobretudo da minha favorita, mas quando a colocava nestes termos questionava-me como poderia gostar de algo que não me recordava? E aquilo de que me recordava bem era de quando eles mataram os meus pais e me deixaram com a minha irmã mais nova nos braços. Cuidei dela o tempo todo, nunca a larguei e quem fosse para a tocar sofreria. Fiz questão que nunca lhe faltasse nada, no entanto sempre soube que o mais importante lhe faltaria, conhecimento sobre o mundo exterior e eu não lhe poderia dizer nada com dezassete anos de vida. Tinha plena consciência que ela era cinco anos mais nova que eu e a idade dos porquês tinha passado á pouco tempo, transmiti-lhe uma verdade pura e dura mas ela não me deixou de ouvir. Deixei de parte o facto em que as mulheres morriam aos quarenta anos e os homens que diferenciavam entre os cinquenta e os cinquenta cinco, pois dependia da maneira da procriação, começavam aos vinte e depois nunca mais paravam, e eu enraivecida assistia a tudo mas sempre protegendo o olhar da minha irmã contra esse tipo de perversidade.
Com esta espécie não se brinca e quando tentei fugir pela primeira vez tentaram fazer com que me arrependesse mas nunca lhes dei essa satisfação. Oh, infligiram-me dor… sim, fizeram-me guinchar, mas nunca mais que isso, não o permiti. Tinha um corte na parte direita na cara e a dor era a única coisa que me fazia recordar de que ainda vivia, não era masoquista, não a adorava, nem pedia ou fazia para que recebesse mais, simplesmente saboreava o sabor da frustração que lhes dava.
Para além da companhia da minha irmã, tinha a companhia do meu primo e este mais velho tinha vinte e dois anos, já tinha concebido filhos com inúmeras mulheres e da sua parte tinha muitos filhos e filhas mas o que mais lhe doeu foi o facto de estar com todas e estas desconhecidas, contara-me que quase todas choraram quando ele lhes roubou a virgindade e ele também chorava… depois, mantendo-se na sombra para que ninguém o visse. Era um mundo ainda mais cruel do que aquele que nós conhecíamos, eles criavam “violadores” e não era por escolha nossa e tecnicamente, já não vivíamos porque aquilo, não era nenhuma vida, não, recusava-me a pensar que assim o fosse. Aquilo era uma guerra sem precedentes entre humanos e monstros aos quais nós chamávamos de vampiros. Mas estes nunca conseguiram ser os deuses que os livros caracterizavam para mim, deixaram de ser iguais. E por muito que realmente me custasse nunca pensei em mim… pensei sempre nos outros. Esta é a história de como os vampiros se apoderaram de toda a humanidade.
Olá, chamo-me Destiny Summer e esta á a história da minha morte…  

"No Encalço da Morte" - Diana Silva

quarta-feira, 13 de junho de 2012

"Emancipada" - Exerto


" - “ Não olhes para trás, faças o que fizeres, não olhes, para, trás!”
Assim que dobrei a esquina e vi o primeiro poste de iluminação, o aperto desanuviou e tive de parar mesmo por debaixo da luz onde me sentia mais segura. Tentei controlar a respiração demasiado ofegante quando ouvi um rosnar atrás de mim. Senti arrepios gelados a subirem a minha coluna e todos os pelinhos dos meus braços ficaram em pé. Olhei para trás de onde viera um som tão desconcertante e quase me saíram os olhos das órbitas.
Aquilo não era normal… não era humano, não era nada, parecia que enfrentava o olhar de um demônio – espera - aquilo não tinha olhos! Eram apenas duas covas negras e mais abaixo um triângulo escuro todo arrepanhado como se lhe tivessem arrebentado com o que deveria ser um nariz. A boca abria-se mostrando uns dentes nojentos todos aguçados e afastados entre si como se fossem os de uma planta carnívora, escorria-lhe um liquido negro, misturado com vermelho da boca que manchava o chão - parecia petróleo - tinha porções de cabelo de espaço em espaço todos arrepiados e tinha apenas uma orelha que parecia estar comida e roída. O tronco curvava-se todo, mostrando a coluna ossuda debaixo da pele, os pés tinham falta de dedos e as mãos eram horrivelmente esqueléticas e gigantescas, como se fossem garras de dragão ou até mesmo uma mistura genética muito estranha - podia dizer que aquilo quase andava por “quatro patas”. As pernas pareciam as de um canguru pelo seu formato só que eram finas e a pele do monstro era esverdeada misturada com terra e sangue.
Quando me permiti cheirar o ar a minha volta, vi que era insuportável, parecia o cheiro a esgoto misturado com bombinhas de mau cheiro da melhor categoria, era indescritível.
Comecei a ter a sensação do vómito e tonturas tudo misturado com o pavor que sentia. Dei passos hesitantes para trás e a criatura seguia-me, parecia que farejava o ar para captar o meu odor.
- “Mau dia para usar perfume.”
Pois claro, sem olhos não me via, então o que faria? Olhei para o chão sem tentar mover-me muito e encontrei pedrinhas, baixei-me devagar e apanhei umas quantas, mais um rosnar baixinho como se fosse uma queixa e fechei os olhos, ergui-me mais um pouco e procurei um sítio para onde pudesse atirar as pedras, encontrei um beco, atirei o mais longe possível e ouvi o chocalhar das pedras que me fez tremer, tapei a boca.
A cabeça da criatura girou para o lado de onde eu atirara as pedras e começou a dar passos hesitantes nessa direção, comecei a calcular passos e a afastar-me - a criatura também já se afastava de mim - quando por um raio de sorte qualquer o meu telemóvel recebeu uma mensagem e o som estridente fez-se notar.
Com o susto sobressaltei-me e pousei mal o pé, pisando uma rocha, escorregando, caindo de rabo no asfalto e batendo com o cotovelo no chão causando-me uma dor horrível. A criatura rosnou e começou a correr na minha direção dando um salto imediato, abrindo os braços, tentei arrastar-me para longe quando esbarrei num cano maltratado, agarrei no tudo com a ponta cortada e ergui-o fechando os olhos automaticamente.
A criatura soltou um grito descomunal, algo dum outro mundo e quando consegui abrir os olhos, o monstro estava colado à parede a definhar e a afogar-se no seu próprio sangue. Uma sombra apareceu a meu lado e ergui-me rapidamente com o tubo na mão, pronta a lutar. Depois daquela adrenalina toda de certeza que iria cair redonda na cama.
- Pousa isso por favor, ainda arrancas um olho a alguém!
- Hã?! – Foi só o que consegui proferir.
Escutei a voz, sabia que era um homem e depois ele saiu detrás das sombras com as mãos no ar e com o sorriso que sabia ser de troça.
- Então posso baixar os braços ou vais bater-me com isso? ... "

Diana Silva - Excerto de "Emancipada"